sábado, 17 de maio de 2014

WHAT A HAPPY DAY!





DIA 17 DE MAIO DE 2014

Rebentam os foguetes. O País reviveu o ano de 1640, dia primeiro de Dezembro, dia da Restauração.
Naquele longínquo dia, o traidor e colaborador do ocupante estrangeiro, o odiado Miguel de Vasconcelos foi atirado pela janela do Palácio que ainda hoje é marca da cidade de Lisboa e que pelo feito recebeu o nome de Restauradores.
 
Tinha razão o irrevogável Paulo Portas ao comparar o dia de hoje, àquele pedaço da nossa história coletiva.  Mas, respeitando-a, alguém teria que ser expulso pela janela ou por uma porta, a soco ou a pontapé. Não sei quem foi, mas sei quem eu gostaria tivesse sido.

Todavia hoje é dia de festa e não obstante a dúvida que persiste,  sinto uma alegria tão grande que só é ofuscada pelo orgulho de ser Europeu, de segunda ou terceira não importa. Somos o exemplo do sucesso, o exemplo a dar a todo o mundo e que só foi possível porque tivemos um Governo obediente e tenaz, e um povo sereno e apalermado e a sorte de termos como guia, um homem providencial, um Presidente que nunca iremos esquecer!!!

Dando uma espreitadela pelos órgãos de informação podemos constatar que a nossa felicidade é motivo de satisfação de todos os Povos que, na beira do precipício, hesitam. Façam como nós, caramba, fechem os olhos e deem o passo em frente. Lá no fundo estão mãos de banqueiros, de agiotas, de políticos incapazes, de agências de notação financeira, todos unidos prontos a negociar a salvação.

What a happy day!

The officers charged by our friends, the European Commission, The European Central Bank and the International Monetary Fund,  the TROIKA, who teach us the way to find the road to freedom and happiness, deserves our very deep consideration. Many thanks and, sincerely we are sure that, soon or later, everyone will be judged by the history of the European mistake.  

What a happy day!

Now we can see many citizens with brand new cars, imported from Germany, of course, with comfortable bank accounts, domiciled at any offshore paradise. Thanks to the economic and financial lessons, they are, at last, truly Europeans.  

Perante o sucesso do programa de ajuda financeira quem se irá lembrar dos custos?

- Serão os mais de trezentos mil novos emigrantes, na sua grande maioria jovens qualificados convidados a deixar o País dos seus antepassados?

- Será a vida de mais de quatrocentos mil desempregados de longa duração, que assim irão constar nas estatísticas ,até ao fim da vida?

- Falamos dos velhos esquecidos nas bichas dos hospitais públicos?

- Ou serão os reformados que acreditaram que o seu futuro estaria acautelado pelo Estado social que lhe levou o dinheiro e a capacidade de lutar e até de chorar?

- Serão os que deixaram de acreditar no Estado, na Justiça, elo fundamental numa sociedade e que se deixou prostituir, castigando os pobres e absolvendo ou ignorando os roubos e outras malfeitorias dos poderosos?  
Responda quem quiser.

PS:

Para salientar a felicidade do dia de hoje, optei por escrever os louvores na língua inglesa. Admito que assim, o meu agradecimento possa ler lido pelos detentores do poder. Perdoem, ainda assim, o meu atrevimento, a escrita não será muito erudita mas também a aprendi com quem pouco mais sabe do que eu. Só que eles aparecem na Europa e até na China, onde vão vender o que resta deste País, destruído.

 

 

2 comentários:

  1. Especialmente no dia de hoje, sinto-me um ET. Ou talvez melhor, o Velho do Restelo, de má memória. Não me apetece abrir uma garrafa de champagne (nem mesmo do rasca), nem vejo motivo para celebrações. Alguém acredite que alguma coisa mude? Mais depressa acredito na história da Cinderela... Por isso, e por via das duvidas, continuo afincadamente a estudar alemão. Quem sabe, não devesse ter começado a minha vida adulta por ai....

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  2. Quem sabe? Mas nunca é tarde para fugir deste paraíso onde só têm sucesso os espertos, os oportunistas e os imbecis que venderam a alma a troco de um qualquer lugar, numa qualquer estrutura partidária, mas em que possa arrebanhar os favores e cobrar por eles.
    Imbecis? Não, imbecis somos nós que não pegamos num vassoura para limpar esses que nos têm roubado, até a esperança. Ai Povo que deixaste de ser povo!

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