Acordei pensando para os
meus botões que na data de hoje iria celebrar o Dia D. Mas afinal o meu relógio
estava errado, a cabeça andava mergulhada nos sonhos e antecipara, pelo menos um mês a data do desembarque dos aliados
nas praias da Normandia.
Coisa estranha, ando a
reler um livro sobre a segunda guerra mundial, e é estranho a deriva do meu
pensamento. Afinal o inimigo de outrora, aquele que fora responsável pela morte
de dezenas de milhões de pessoas era o III Reich, e hoje até me custa lembrar que falamos da Alemanha, hoje setenta anos depois é dona da Europa.
As voltas que o mundo dá.
Se hoje se perguntasse a um recém-chegado, pouco ilustrado, quem havia ganho a
II grande guerra, aposto que a resposta seria: foram os aliados. Mas se por
acaso da fortuna o recém-chegado fosse uma pessoa conhecedora e instruída,
desmentiria aquela afirmação e daria uma resposta categórica: - Sem dúvida, foi
a Alemanha a vencedora. E não é que esta opinião configura um veredicto
correto, partilhado para todos os que conseguiram entender o presente,
esquecendo ou omitindo o passado!
Foi para um clube rico que nós, Povo outrora independente, aceitamos sem discutir, transferir o nosso destino. Ficamos iguais nas obrigações mas não nos direitos. Manda quem pode, obedece quem deve, isso já tínhamos aprendido na nossa história recente.
Embriagados pelo dinheiro fácil tudo cedemos e até a nossa dignidade nos deixou. Fomos pobres, continuamos pobres. Este é o nosso fado.
Afinal a minha imaginação levara-me para coisas que não devo comentar. Porque, a realidade meio veio por um programa televisivo que, por entre as notícias e o debate, esclarecido, do aumento da violência doméstica, sobretudo mas não só, noticia que à meia-noite havia começado a campanha eleitoral para a eleição dos nossos representantes no Parlamento Europeu. Aqui está a razão do meu desacerto. Começa a invasão, não das praias da Normandia, mas das feiras, dos mercados e mesmo dum pequeno café, algures, no Portugal profundo, por candidatos a, acompanhantes a, vendedores de ilusões, malabaristas, líderes partidários e seguranças para defesa da ordem pública.
E o povo está habituado a
este folclore, na verdade não entende a azáfama e o trabalho que esta gente
faz, sacrificando o seu tempo para nos levarem a caminho da mesa de voto. Mas
caros concidadãos perguntem a qualquer candidato o que pensa fazer, e ele dirá
tudo resumindo numa simples palavra: NADA.
Na verdade o Parlamento
Europeu existe apenas para que mais de setecentos deputados se entretenham a dizer umas coisas, quando lá vão, e aguardam que a Alemanha diga o que deve ser feito. Por isso e para evitar confusões
perguntem apenas quanto vão ganhar, os eleitos e os partidos, quais os impostos
que terão de pagar, os serviços de saúde, a reforma, etc, etc e tal, como nós o
que somos chamados a votar, temos de enfrentar em cada dia que passa.
Mas mesmo que saibam não
se atrevam a fazer uma análise custos/benefícios, uma coisa que está na moda. Se
por desafio ao perigo, se aventurarem a procurar uma folha de excel para fazer
esse estudo, chegarão a conclusões que vos irão doer.
Eu não preciso da
campanha eleitoral, sei o resultado. Se nos candidatos encontrasse um “ Beppe
Grillo” que os italianos tiveram a sorte de eleger?
Pergunto: Se um partido
qualquer não ganharia mais, propondo como cabeça de lista o Quim Barreiros, por
exemplo? Pelo menos seria mais autêntico!
Admito ir votar mas com toda a raiva de que for capaz de soltar do meu peito.
E alimento esta dor com a poesia de Antero de Quental.
Erguendo os braços para o céu distante
E apostrofando os deuses invisíveis,
Os homens clamam: — «Deuses impassíveis,
A quem serve o destino triunfante,
Porque é que nos criastes?! Incessante
Corre o tempo e só gera, inextinguíveis,
Dor, pecado, ilusão, lutas horríveis,
N'um turbilhão cruel e delirante...
Pois não era melhor na paz clemente
Do nada e do que ainda não existe,
Ter ficado a dormir eternamente?
Porque é que para a dor nos evocastes?»
Mas os deuses, com voz inda mais triste,
Dizem: — «Homens! por que é que nos criastes?»
E apostrofando os deuses invisíveis,
Os homens clamam: — «Deuses impassíveis,
A quem serve o destino triunfante,
Porque é que nos criastes?! Incessante
Corre o tempo e só gera, inextinguíveis,
Dor, pecado, ilusão, lutas horríveis,
N'um turbilhão cruel e delirante...
Pois não era melhor na paz clemente
Do nada e do que ainda não existe,
Ter ficado a dormir eternamente?
Porque é que para a dor nos evocastes?»
Mas os deuses, com voz inda mais triste,
Dizem: — «Homens! por que é que nos criastes?»
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