segunda-feira, 12 de maio de 2014

O DIA D?






Acordei pensando  para os meus botões que na data de hoje iria celebrar o Dia D. Mas afinal o meu relógio estava errado, a cabeça andava mergulhada nos sonhos  e antecipara, pelo menos um mês a data do desembarque dos aliados nas praias da Normandia.
Coisa estranha, ando a reler um livro sobre a segunda guerra mundial, e é estranho a deriva do meu pensamento. Afinal o inimigo de outrora, aquele que fora responsável pela morte de dezenas de milhões de pessoas era o III Reich, e hoje até me custa lembrar que falamos da Alemanha, hoje setenta anos depois é dona da Europa. 
As voltas que o mundo dá. Se hoje se perguntasse a um recém-chegado, pouco ilustrado, quem havia ganho a II grande guerra, aposto que a resposta seria: foram os aliados. Mas se por acaso da fortuna o recém-chegado fosse uma pessoa conhecedora e instruída, desmentiria aquela afirmação e daria uma resposta categórica: - Sem dúvida, foi a Alemanha a vencedora. E não é que esta opinião configura um veredicto correto, partilhado para todos os que conseguiram entender o presente, esquecendo ou omitindo o passado!
Foi para um clube rico que nós, Povo outrora independente, aceitamos sem discutir, transferir o nosso destino. Ficamos iguais nas obrigações mas não nos direitos. Manda quem pode, obedece quem deve, isso já tínhamos aprendido na nossa história recente. 
Embriagados pelo dinheiro fácil tudo cedemos e até a nossa dignidade nos deixou. Fomos pobres, continuamos pobres. Este é o nosso fado.
 
 
 

Afinal a minha imaginação levara-me para coisas que não devo comentar. Porque, a realidade meio veio por um programa televisivo que, por entre as notícias e o debate, esclarecido, do aumento da violência doméstica, sobretudo mas não só, noticia que à meia-noite havia começado a campanha eleitoral para a eleição dos nossos representantes no Parlamento Europeu. Aqui está a razão do meu desacerto. Começa a invasão, não das praias da Normandia, mas das feiras, dos mercados e mesmo dum pequeno café, algures, no Portugal profundo, por candidatos a, acompanhantes a, vendedores de ilusões, malabaristas, líderes partidários e seguranças para defesa da ordem pública.
E o povo está habituado a este folclore, na verdade não entende a azáfama e o trabalho que esta gente faz, sacrificando o seu tempo para nos levarem a caminho da mesa de voto. Mas caros concidadãos perguntem a qualquer candidato o que pensa fazer, e ele dirá tudo resumindo numa simples palavra: NADA.
Na verdade o Parlamento Europeu existe apenas para que mais de setecentos deputados se entretenham a dizer umas coisas, quando lá vão, e aguardam que a Alemanha diga o que deve ser feito. Por isso e para evitar confusões perguntem apenas quanto vão ganhar, os eleitos e os partidos, quais os impostos que terão de pagar, os serviços de saúde, a reforma, etc, etc e tal, como nós o que somos chamados a votar, temos de enfrentar em cada dia que passa.
Mas mesmo que saibam não se atrevam a fazer uma análise custos/benefícios, uma coisa que está na moda. Se por desafio ao perigo, se aventurarem a procurar uma folha de excel para fazer esse estudo, chegarão a conclusões que vos irão doer.
Eu não preciso da campanha eleitoral, sei o resultado. Se nos candidatos encontrasse um “ Beppe Grillo” que os italianos tiveram a sorte de eleger?
 Pergunto:  Se um partido qualquer não ganharia mais, propondo como cabeça de lista o Quim Barreiros, por exemplo? Pelo menos seria mais autêntico!
Admito ir votar mas com toda a raiva de que for capaz de soltar do meu peito. 
E alimento esta dor com a poesia de Antero de Quental.

                                              Divina Comédia
                      Erguendo os braços para o céu distante
                      E apostrofando os deuses invisíveis,
                      Os homens clamam: — «Deuses impassíveis,
                      A quem serve o destino triunfante,

                     Porque é que nos criastes?! Incessante
                     Corre o tempo e só gera, inextinguíveis,
                     Dor, pecado, ilusão, lutas horríveis,
                     N'um turbilhão cruel e delirante...

                     Pois não era melhor na paz clemente
                     Do nada e do que ainda não existe,
                    Ter ficado a dormir eternamente?

                    Porque é que para a dor nos evocastes?»
                    Mas os deuses, com voz inda mais triste,
                    Dizem: — «Homens! por que é que nos criastes?» 
                                                                                                                                                          




 

























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