sexta-feira, 30 de maio de 2014

DOBRE A FINADOS




Nem consigo perceber a razão por que esqueci o dia 25 de Maio, um dia tão importante em que  (milhões, cada vez menos) de europeus foram obedientemente depositar o seu voto para a eleição do Parlamento Europeu.

Estou que nem posso. Eu que cumpri o desejo de reflexão obrigatório pela Lei do meu País (ainda digo meu mas não tenho a certeza) e apesar da invasão de Lisboa pelas hostes futebolísticas do Real e do Atlético de Madrid que trouxeram um pouco de alegria a este povo cinzento, e que pelo seu entusiasmo fizeram tremer o irrevogável e valente Ministro Portas temendo pela sua comemoração da revolução de 1640, não deixei de analisar a importância das eleições e seguindo a recomendação solene do meu (?) Presidente da República, pessoa que tanto prezo e respeito, fui depositar o meu voto, com a confiança de que o futuro se jogava naquele dia.

Procurei nas listas o meu partido e, ou por estar febril de entusiasmo ou por uma amnésia repentina não o encontrei. Logo votei em branco mas ainda não me libertei do peso de consciência por ter contribuído para a queda do império Europeu.

E depois fiquei horas e horas pendurado nos serviços de informação, adormeci a ouvir falar os analistas de serviço, justificando as razões porque, a queda do ideal Europeu se começara a desenhar. Para mim e para todos os que se sentem defraudados pelo rumo que a Europa tomou, a enorme abstenção dos eleitores foi o dobre a finados dum sonho que morreu e que deixou ferida uma geração.

Valerá a pena continuar um caminho que só tem um sentido, o sentido da perdição?
Na dúvida e proponho que se oiça o Requiem, numa criação do poeta e cantor Leo Ferré. Vale a pena, acreditem.

 

Sem comentários:

Enviar um comentário