Sim, a apresentação do
Primeiro-Ministro, comunicando aos Portugueses, os autênticos e não os vendidos
a interesses espúrios, a decisão sobre a saída LIMPA do programa de ajuda (?)
financeira negociado com a chamada TROIKA foi uma festa linda e eu, confesso
sem vergonha, chorei.
Na verdade estava à
espera de uma maçadoria, (palavra tão erudita e bela, só ao alcance dos grandes
cultores da Língua de Camões) categoria na qual, sem favor, incluo o senhor
Primeiro-Ministro, Senhor Doutor Pedro Passos Coelho, mas ao contrário foi um
momento grande da nossa história.
Atrevo-me até a roubar a ideia do Doutor Paulo
Portas, que irrevogavelmente, como é seu timbre, comparou o anúncio da saída
limpa a um novo ano de 1640.
Foi recuperada e
soberania e os Portugueses podem voltar a dormir descansados, como aliás
fizeram durante a nossa História de mais de oito séculos, escudados na certeza
que alguém amigo nos estenderia a mão. O preço foi, sem surpresa, de um valor
quase simbólico.
Volto, e não é demais, a
sublinhar a qualidade do discurso, ou da declaração, chamam-lhe o quiserem, com
que o Dr. Coelho nos brindou, no anúncio do grande acontecimento. Foi um grande
momento de Televisão.
Já sei que alguns
Portugueses, poucos, acharão que aquele discurso parecia ter sido escrito pela
Chanceler Merkel ou um dos seus habituais conselheiros e que o importante não
foi o que foi dito mas aquilo que se escondeu para se saber qualquer dia. Gente
de má-fé, pois claro. A verdade é só uma e eu ouvi o grande especialista de
tudo e mais alguma coisa, Professor Doutor Marcelo elogiar a qualidade do
produto. Ficamos pois descansados, ou não?
-Não é verdade que o País
está agora melhor do que estava alguns anos atrás?
Os Portugueses, milhões
na pobreza e muitos já na miséria foram os heróis. Aprenderam com o discurso de
qualquer político, ainda que de meia-tigela, característica muito comum, que do
alto do poleiro assegura: Primeiro o País e, só depois, as pessoas.
Reparem do poema que vos
deixo. É dum Poeta quase esquecido, mas que nos lembra muitas coisas de
antigamente e, porque não, alguns dias bem presentes.
MEU
PAÍS DESGRAÇADO
Meu
país desgraçado!...
E
no entanto há sol a cada canto
e
não há Mar tão lindo noutro lado.
Nem
há céu mais alegre do que o nosso,
nem
pássaros, nem águas…
Por
que fatal engano?
Que
malévolos crimes
teus
direitos de berço violaram?
Meu Povo
de
cabeça perdida, mãos caídas,
de
olhos sem fé
-
busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a
causa da miséria se te esconde.
E em nome dos direitos
Que
te deram a terra, o Sol, o Mar,
fere-a
sem dó
com
o lume do teu antigo olhar.
Ah!,
visses tu, nos olhos das mulheres,
a
calada censura
que
te reclama filhos mais robustos!
Meu
Pedro Sem sem forças nem haveres
-
olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha
tuas barcas, tuas forças
e
o direito de amar e fecundar
as
que só por Amor te não desprezam!
(Sebastião
da Gama)
Então, toca de aplaudir,
abanar as orelhas e olhar de frente para o mundo que nos olha cheio de inveja.
Os Portugueses deram uma grande lição. E o melhor até estará para vir. Com
arrojo chegaremos a porto seguro. Seguro? Valha-nos Deus.
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