Nem consigo perceber a razão por que esqueci o dia 25 de Maio, um dia tão importante em que (milhões, cada vez menos) de europeus foram obedientemente depositar o seu voto para a eleição do Parlamento Europeu.
Estou que nem posso. Eu
que cumpri o desejo de reflexão obrigatório pela Lei do meu País (ainda digo
meu mas não tenho a certeza) e apesar da invasão de Lisboa pelas hostes
futebolísticas do Real e do Atlético de Madrid que trouxeram um pouco de
alegria a este povo cinzento, e que pelo seu entusiasmo fizeram tremer o irrevogável
e valente Ministro Portas temendo pela sua comemoração da revolução de 1640, não deixei de
analisar a importância das eleições e seguindo a recomendação solene do meu (?)
Presidente da República, pessoa que tanto prezo e respeito, fui depositar o meu
voto, com a confiança de que o futuro se jogava naquele dia.
Procurei nas listas o meu
partido e, ou por estar febril de entusiasmo ou por uma amnésia repentina não o
encontrei. Logo votei em branco mas ainda não me libertei do peso de consciência
por ter contribuído para a queda do império Europeu.
E depois fiquei horas e
horas pendurado nos serviços de informação, adormeci a ouvir falar os analistas
de serviço, justificando as razões porque, a queda do ideal Europeu se começara
a desenhar. Para mim e para todos os que se sentem defraudados pelo rumo que a
Europa tomou, a enorme abstenção dos eleitores foi o dobre a finados dum sonho que
morreu e que deixou ferida uma geração.
Valerá a pena continuar
um caminho que só tem um sentido, o sentido da perdição?
Na dúvida e proponho que se oiça o Requiem, numa criação do poeta e cantor Leo Ferré. Vale a pena, acreditem.