NEVOEIRO
Nem rei nem
lei, nem paz nem guerra,
Define com
perfil e ser
Este fulgor
baço da terra
Que é
Portugal a entristecer-
Brilho sem
luz e sem arder,
Como se o
fogo-fátuo encerra.
Ninguém
sabe que coisa quer.
Ninguém
conhece que alma tem.
Nem o que é
mal nem o que é bem.
(Que ânsia
distante perto chora?)
Tudo é
incerto e derradeiro.
Tudo é
disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal,
hoje és nevoeiro…
É a Hora!
(FERNANDO
PESSOA)
Era, ainda é, hora de partir, de deixar o nevoeiro em que
nos perdemos.
Tem sido esse, de novo, o caminho de dezenas de milhares
de Portugueses, que um País sem lei tem obrigado a calcorrear.
Culpa nossa, certamente, porque acreditamos numa utopia.
Sim a Europa e a moeda única foram o sonho que se transformou num pesadelo.
E esta língua de terra, QUE UM RIO DE LÁGRIMAS, escolheu
para encontrar o mar, foi ficando mais pobre e triste. Partiram sobretudo os
jovens, lutando pelo futuro que lhe foi negado, na terra que os viu nascer.
Com eles foram os nossos sonhos, a nossa tristeza e nossa
dor e ficou o nosso triste fado.
Voltarão um dia?
Pelo menos um regressará de certeza. Gordo e anafado,
depois de com o seu inegável talento ter liderado uma Sociedade Anónima,
conhecida como Comissão Europeia, e ter sido um dos responsáveis pela insignificância
a que a Europa se remeteu.
E faz bem em regressar, pois neste País de brandos
costumes é fácil esquecer e perdoar mesmo aos que desertaram, e um lugar de
importância, com alguma visibilidade e pouca responsabilidade, será um ótimo
refúgio para férias passeando ali pelos lados de Belém, convivendo com os seus
camaradas entretanto reformados das lides governativas, gozando do merecido
descanso, enquanto Administradores não executivos de uma qualquer multinacional
Chinesa.
E o povo ficará eternamente agradecido.
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