sábado, 5 de abril de 2014

É HORA !



NEVOEIRO

 

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,

Define com perfil e ser

Este fulgor baço da terra

Que é Portugal a entristecer-

Brilho sem luz e sem arder,

Como se o fogo-fátuo encerra.

 

Ninguém sabe que coisa quer.

Ninguém conhece que alma tem.

Nem o que é mal nem o que é bem.

(Que ânsia distante perto chora?)

Tudo é incerto e derradeiro.

Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

 

É a Hora!

(FERNANDO PESSOA)

 

 

Era, ainda é, hora de partir, de deixar o nevoeiro em que nos perdemos.

Tem sido esse, de novo, o caminho de dezenas de milhares de Portugueses, que um País sem lei tem obrigado a calcorrear.

Culpa nossa, certamente, porque acreditamos numa utopia. Sim a Europa e a moeda única foram o sonho que se transformou num pesadelo.

E esta língua de terra, QUE UM RIO DE LÁGRIMAS, escolheu para encontrar o mar, foi ficando mais pobre e triste. Partiram sobretudo os jovens, lutando pelo futuro que lhe foi negado, na terra que os viu nascer.

Com eles foram os nossos sonhos, a nossa tristeza e nossa dor e ficou o nosso triste fado.  


 

Voltarão um dia?

 

 

 

Pelo menos um regressará de certeza. Gordo e anafado, depois de com o seu inegável talento ter liderado uma Sociedade Anónima, conhecida como Comissão Europeia, e ter sido um dos responsáveis pela insignificância a que a Europa se remeteu.

E faz bem em regressar, pois neste País de brandos costumes é fácil esquecer e perdoar mesmo aos que desertaram, e um lugar de importância, com alguma visibilidade e pouca responsabilidade, será um ótimo refúgio para férias passeando ali pelos lados de Belém, convivendo com os seus camaradas entretanto reformados das lides governativas, gozando do merecido descanso, enquanto Administradores não executivos de uma qualquer multinacional Chinesa.  

E o povo ficará eternamente agradecido.
 

 

 

























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