Hoje é Abril. O mês dos
cravos e da esperança.
A flor que enfeitou as
armas dos militares que no dia 25 deste mesmo mês, no já longínquo ano de 1974,
murchou e a liberdade transformou-se. A esperança, essa morreu.
A liberdade tem um preço, que nós esquecemos. Mas que teremos de pagar.
A liberdade tem um preço, que nós esquecemos. Mas que teremos de pagar.
E o Povo que lhe estendeu
o tapete para o caminho da fortuna, pagará pela fome, pela desistência, pela
amargura, pela negação dos seus direitos. Naturalmente há exceções, em Portugal
não é assim. Porque somos um Povo de brandos costumes que estende a mão a quem
lhe tira o pão e rouba a esperança. Somos da verdade um Povo que chora mas que
não tem força nem vontade de lutar.
Sabendo isso, os
cobradores fazem fila empurrando-se para se chegarem ao tacho, dê por onde der,
enganando este mundo e o outro, atraiçoando os ideais e as promessas que em vão
fizeram. Escondem ao que vêm. Os mais afoitos gritam promessas, que depressa
esquecerão na poeira do caminho. Para que tudo dê certo, fazem-se eleições,
mudam-se as pessoas e tudo acabará por ficar na mesma. Os negócios continuam,
apenas haverá uma mudança de ciclo.
No meio, onde sempre
esteve, ficará o Povo. Os vampiros continuarão a sua tarefa.
NÃO PASSARÃO, gritou o Poeta, mas o Povo não ouviu.
NÃO PASSARÃO
Não desesperes, Mãe!
O
último triunfo é interditoAos heróis que o não são,
Lembra-te do teu grito:
Não passarão!
Que te bate no peito.
Só mesmo se pudesse haver sentido
Entre o sangue vertido
E o sonho desfeito.
Só mesmo se não fosse o mundo todo
Que na tua tragédia se redime.
Nasce o trigal de novo.
Morrem filhos e filhas da nação.
Não morre um Povo!
Não passarão!
Seja qual for a fúria da agressão,
As forças que te querem jugular
Não poderão passar
Sobre a dor infinita desse não
Que a terra inteira ouviu
E repetiu:
Não passarão!
(MIGUEL
TORGA)
Sem comentários:
Enviar um comentário